Peixe Fresco e Pesca
Artesanal em Fortim
Em Fortim, boa parte do peixe que chega à mesa saiu do mar ou do rio no mesmo dia, pescado por gente da cidade. Este guia conta o que os estudos sobre a pesca artesanal do Ceará encontraram em Fortim, onde comprar peixe direto do pescador, como reconhecer um peixe fresco na hora da compra e o que pedir quando a ideia é só sentar e comer.
O que se pesca no mar de Fortim
Fortim entrou num dos maiores levantamentos já feitos sobre a pesca artesanal cearense: a tese de doutorado de Sônia Maria Martins de Castro e Silva, defendida em 2004 na UFSCar. Ela acompanhou o desembarque em cinco pontos do litoral (Camocim, Paracuru, Fortaleza, Caponga e Fortim), nas estações de chuva e de seca, e contou 183.530 peixes de 124 espécies.
O resultado de Fortim chamou atenção por um motivo: foi o único ponto com diversidade baixa, porque uma espécie dominava a pescaria, a biquara (*Haemulon plumieri*). Nos outros quatro lugares, a captura era bem mais variada.
A tese também explica o jeito de pescar. A frota artesanal do Ceará somava quase 4 mil barcos, a maioria paquetes (as jangadas menores) e canoas, e a pesca era feita sobretudo com linha de mão e rede de espera. A maior parte dos peixes vive perto do fundo, em pedras, não anda em cardume e é pescada de dia, o que combina com as saídas cedo e a volta no mesmo dia.
Biquara, o peixe que mais aparece
A biquara é um peixe de recife, da família dos roncadores. Um estudo publicado em 2013 no *Brazilian Journal of Biology*, feito com peixes pescados no litoral do Ceará com linha e anzol, diz que essa família é a mais capturada pela pesca artesanal do estado em número de indivíduos, e que só a biquara responde por cerca de 10% de todo o peixe desembarcado no Ceará.
O mesmo estudo viu que as fêmeas se reproduzem mais entre março e maio. Por isso os pesquisadores recomendaram um defeso nesses meses e um tamanho mínimo de captura de 18,5 cm. É uma recomendação científica, não uma regra em vigor; mas, se você comprar biquara direto do pescador, dar preferência aos peixes maiores ajuda a espécie.
Do lado do Rio Jaguaribe: mariscos e mangue
Fortim também pesca no rio. No estuário do Jaguaribe, pescadores e marisqueiras de Fortim e de Aracati, muitos de comunidades quilombolas como a do Cumbe, tiram do mangue ostra, sururu, búzio e caranguejo. O manguezal do Rio Jaguaribe é o berçário de boa parte disso.
Essa pesca depende do equilíbrio entre a água doce e a salgada. Em 2023, o Brasil de Fato registrou que as chuvas fortes de março, mais de 300 mm segundo a Funceme, adoçaram o rio, mataram mariscos e parte dos peixes e pararam a pesca na região por semanas. Ou seja: o que aparece para vender muda com a estação e com o ano, e vale perguntar o que tem antes de decidir o cardápio.
Onde comprar peixe direto do pescador
Para ver a pesca acontecer, vá à orla do Pontal de Maceió no começo da manhã, quando as jangadas saem e voltam. É o local de trabalho dos pescadores: peça licença antes de fotografar de perto. A página de pesca artesanal conta a história das jangadas e como combinar uma pescaria.
Para comprar, o caminho mais prático é a Peixaria O Flávio, que vende peixe, camarão e lagosta direto do pescador. Pergunte pelo WhatsApp o que chegou no dia; o contato está em Serviços. Preço e variedade mudam com a pescaria, então combine na hora.
Como saber se o peixe está fresco
A Vigilância de Saúde de Jundiaí (SP) publicou um guia simples para quem compra peixe, e ele vale em qualquer praia. Antes de levar, confira:
- Cheiro: leve, de maresia. Cheiro forte ou azedo é sinal ruim.
- Olhos: salientes, com a córnea transparente e a pupila preta e brilhante.
- Guelras: rosadas, quase vermelhas, sem manchas.
- Pele e escamas: pele brilhante, de cor viva, com as escamas bem presas.
- Carne: firme. Aperte com o dedo: se ficar marcado, o peixe não está bom.
- Barriga: a película de dentro tem que estar grudada na carne. Se soltar, não compre.
O que pedir nos restaurantes e como preparar
Se a ideia é só comer, o peixe aparece em vários cardápios da cidade: a peixada cearense (peixe cozido com leite de coco, legumes e ovo, servido com pirão), a caldeirada de peixe do Canto Verde, a mariscada da Mariscada da Rivanda e a lagosta do Maresia. Os endereços estão em restaurantes, e o guia o que comer em Fortim explica os outros pratos do litoral.
Quem prefere cozinhar precisa de uma hospedagem com cozinha. Na Barra do Fortim, a pousada Barra Beach House tem chalés com cozinha completa, a 300 m da praia do Canto da Barra.
Um cuidado com a lagosta: de 1º de fevereiro a 30 de abril a venda é proibida no Brasil por causa do defeso, inclusive em restaurantes e barracas. Fora desse período, pergunte na peixaria se tem.
Perguntas frequentes
Hospedagem em
Fortim
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Jaguaribe Lodge
Vila Selvagem
Jaguarindia Village
Pausa Hotel
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