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🌿 Natureza

Manguezal do Rio Jaguaribe
em Fortim

Antes de chegar ao mar, o Rio Jaguaribe passa por quilômetros de mangue. É uma floresta que vive com o pé na água salgada, cresce no ritmo da maré e serve de casa para o caranguejo-uçá. Saber o que se está vendo muda o passeio de barco em Fortim.

🌊 O que é

Uma floresta entre o rio e o mar

Manguezal é a vegetação que cresce onde o rio encontra o mar. A água ali é uma mistura de doce e salgada, o fundo é de lama e a maré cobre e descobre o chão duas vezes por dia. Poucas árvores aguentam esse sal todo, e as que aguentam têm truques próprios: raízes que saem do chão para respirar, folhas que eliminam sal e sementes que já brotam presas à árvore.

No estuário do Jaguaribe, a zona de mangue cobre cerca de 11,6 km², segundo dado da Semace citado num estudo da Universidade Federal do Ceará publicado em 2013. A mesma pesquisa descreve a região como parte do litoral semiárido do Nordeste, onde o mangue ocupa áreas pequenas e a maré varia de 2 a 4 metros. No Ceará inteiro são cerca de 182 km² de mangue, quase todos confinados aos estuários.

Em Fortim, o mangue fica nas margens do rio, perto da foz, e segue rio acima até braços como o Canal do Amor. Também cerca a foz do Rio Pirangi, do outro lado do município.

Mangue da Barra do Fortim visto de drone
O mangue da Barra do Fortim visto de drone · Ver na galeria →
🌳 As árvores

Mangue-vermelho, mangue-preto e mangue-branco

Três tipos de árvore formam a maior parte dos mangues do Ceará. Num levantamento feito no estuário do Acaraú, no oeste do estado, apareceram as três, além do mangue-de-botão. Os nomes populares variam de lugar para lugar, por isso vale reconhecer cada uma pelo jeito:

  • Mangue-vermelho (*Rhizophora mangle*): é o das raízes em arco, que descem do tronco e sustentam a árvore como pernas. Raspada, a casca mostra cor avermelhada. As sementes brotam ainda presas aos galhos e caem prontas para fincar na lama. Costuma ficar mais perto da água.
  • Mangue-preto ou siriúba (*Avicennia*): tronco escuro e, em volta dele, dezenas de pontinhas saindo da lama, os pneumatóforos, que são raízes que respiram. As folhas eliminam sal e às vezes ficam esbranquiçadas.
  • Mangue-branco (*Laguncularia racemosa*): o sinal mais fácil é o cabinho da folha vermelho, onde ficam as glândulas que soltam o sal. Cresce mais para o interior do mangue e é uma das primeiras a ocupar terreno novo.
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No barco, olhe para a beira do rio na maré baixa: é quando as raízes do mangue-vermelho e as pontinhas do mangue-preto ficam à mostra.
🦀 Os bichos

O caranguejo-uçá e quem mais vive no mangue

O morador mais conhecido do mangue é o caranguejo-uçá (*Ucides cordatus*). Cada um cava a própria toca na lama e passa o dia processando as folhas que caem das árvores, o que devolve nutrientes ao ambiente. Por isso os biólogos o tratam como espécie-chave do manguezal. No litoral brasileiro, a reprodução vai de dezembro a abril.

Pesquisadores da UFC acompanharam a população de uçá num mangue do Jaguaribe, em Aracati, por 24 meses entre 2010 e 2012, e concluíram que ela estava estável, mas pediram monitoramento constante. O estudo registra também como a comunidade pesca ali: com o forjo, uma armadilha feita de garrafa plástica de 2 litros que fecha a boca da toca, usando folha de mangue-vermelho como isca.

Além dele, o mangue é berçário de peixes, camarões e outros crustáceos, e lugar de alimentação de aves. Nas árvores perto do rio, na Barra do Fortim, também se veem saguis, como mostram as fotos da galeria do site.

Sagui de tufos brancos numa árvore da Barra do Fortim
Sagui de tufos brancos numa árvore da Barra do Fortim · Ver na galeria →
🏝️ Rio em mudança

Ilhas novas e um mangue que muda de lugar

O mangue do Jaguaribe não é uma paisagem parada. Um estudo da UFC que comparou imagens de satélite de 1988 a 2010 viu as ilhas do estuário ganharem cerca de 24 hectares, e a terra nova foi logo ocupada pelo mangue. Os autores ligam o aumento de sedimento ao uso do solo na bacia, agravado pela vazão menor por causa das barragens e pela chuva mais escassa.

As pressões também aparecem nos estudos: barragens, criação de camarão e pesca estão entre os fatores que podem afetar a população de caranguejos. Pela lei brasileira, o manguezal é área de preservação permanente.

Foz do Rio Jaguaribe vista do alto, em Fortim
A foz do Rio Jaguaribe vista do alto, com os bancos de areia · Ver na galeria →
⛵ Como ver

De barco, do alto ou pela margem

O jeito mais completo é o passeio de barco pelo Jaguaribe, que dura de 2 a 4 horas e passa por trechos de mangue, aves e praias que só se alcançam pela água. Os roteiros mais longos sobem até o Canal do Amor e a Ilha do Pinto, onde o rio fica estreito e cercado de mangue. Os contatos dos barqueiros estão em passeios.

Quem prefere ficar perto da água pode se hospedar na Barra do Fortim, de frente para o rio, onde ficam pousadas como a Barra Beach House. Dali o rio e o mangue ficam a poucos passos, e dá para sair cedo para o passeio.

Na foz do Rio Pirangi, a água rasa e calma deixa chegar perto do mangue a pé. Seja qual for o caminho, siga as regras básicas:

  • Não arranque plantas nem sementes e não leve caranguejo de lembrança.
  • Não entre de carro, moto ou quadriciclo na vegetação.
  • Leve o lixo de volta e passe repelente: no fim da tarde, os mosquitos aparecem.
  • Confira a maré antes: na baixa, aparecem as raízes e as tocas; na alta, o barco entra mais fundo nos canais.
❓ Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

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Tem manguezal em Fortim?
Sim. O Rio Jaguaribe tem cerca de 11,6 km² de mangue no estuário, que passa pela Barra do Fortim e segue rio acima até o Canal do Amor. A foz do Rio Pirangi também é cercada de mangue.
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Quais árvores formam o mangue no Ceará?
Principalmente o mangue-vermelho (Rhizophora mangle), o mangue-preto ou siriúba (Avicennia) e o mangue-branco (Laguncularia racemosa).
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Como visitar o mangue em Fortim?
De barco, num passeio de 2 a 4 horas pelo Rio Jaguaribe; os roteiros longos incluem o Canal do Amor. Na foz do Rio Pirangi dá para chegar perto a pé.
?
Qual a época de reprodução do caranguejo-uçá?
No litoral brasileiro, vai de dezembro a abril. Antes de comprar ou pegar caranguejo, confira as regras de defeso em vigor.
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