Manguezal do Rio Jaguaribe
em Fortim
Antes de chegar ao mar, o Rio Jaguaribe passa por quilômetros de mangue. É uma floresta que vive com o pé na água salgada, cresce no ritmo da maré e serve de casa para o caranguejo-uçá. Saber o que se está vendo muda o passeio de barco em Fortim.
Uma floresta entre o rio e o mar
Manguezal é a vegetação que cresce onde o rio encontra o mar. A água ali é uma mistura de doce e salgada, o fundo é de lama e a maré cobre e descobre o chão duas vezes por dia. Poucas árvores aguentam esse sal todo, e as que aguentam têm truques próprios: raízes que saem do chão para respirar, folhas que eliminam sal e sementes que já brotam presas à árvore.
No estuário do Jaguaribe, a zona de mangue cobre cerca de 11,6 km², segundo dado da Semace citado num estudo da Universidade Federal do Ceará publicado em 2013. A mesma pesquisa descreve a região como parte do litoral semiárido do Nordeste, onde o mangue ocupa áreas pequenas e a maré varia de 2 a 4 metros. No Ceará inteiro são cerca de 182 km² de mangue, quase todos confinados aos estuários.
Em Fortim, o mangue fica nas margens do rio, perto da foz, e segue rio acima até braços como o Canal do Amor. Também cerca a foz do Rio Pirangi, do outro lado do município.
Mangue-vermelho, mangue-preto e mangue-branco
Três tipos de árvore formam a maior parte dos mangues do Ceará. Num levantamento feito no estuário do Acaraú, no oeste do estado, apareceram as três, além do mangue-de-botão. Os nomes populares variam de lugar para lugar, por isso vale reconhecer cada uma pelo jeito:
- Mangue-vermelho (*Rhizophora mangle*): é o das raízes em arco, que descem do tronco e sustentam a árvore como pernas. Raspada, a casca mostra cor avermelhada. As sementes brotam ainda presas aos galhos e caem prontas para fincar na lama. Costuma ficar mais perto da água.
- Mangue-preto ou siriúba (*Avicennia*): tronco escuro e, em volta dele, dezenas de pontinhas saindo da lama, os pneumatóforos, que são raízes que respiram. As folhas eliminam sal e às vezes ficam esbranquiçadas.
- Mangue-branco (*Laguncularia racemosa*): o sinal mais fácil é o cabinho da folha vermelho, onde ficam as glândulas que soltam o sal. Cresce mais para o interior do mangue e é uma das primeiras a ocupar terreno novo.
O caranguejo-uçá e quem mais vive no mangue
O morador mais conhecido do mangue é o caranguejo-uçá (*Ucides cordatus*). Cada um cava a própria toca na lama e passa o dia processando as folhas que caem das árvores, o que devolve nutrientes ao ambiente. Por isso os biólogos o tratam como espécie-chave do manguezal. No litoral brasileiro, a reprodução vai de dezembro a abril.
Pesquisadores da UFC acompanharam a população de uçá num mangue do Jaguaribe, em Aracati, por 24 meses entre 2010 e 2012, e concluíram que ela estava estável, mas pediram monitoramento constante. O estudo registra também como a comunidade pesca ali: com o forjo, uma armadilha feita de garrafa plástica de 2 litros que fecha a boca da toca, usando folha de mangue-vermelho como isca.
Além dele, o mangue é berçário de peixes, camarões e outros crustáceos, e lugar de alimentação de aves. Nas árvores perto do rio, na Barra do Fortim, também se veem saguis, como mostram as fotos da galeria do site.
Ilhas novas e um mangue que muda de lugar
O mangue do Jaguaribe não é uma paisagem parada. Um estudo da UFC que comparou imagens de satélite de 1988 a 2010 viu as ilhas do estuário ganharem cerca de 24 hectares, e a terra nova foi logo ocupada pelo mangue. Os autores ligam o aumento de sedimento ao uso do solo na bacia, agravado pela vazão menor por causa das barragens e pela chuva mais escassa.
As pressões também aparecem nos estudos: barragens, criação de camarão e pesca estão entre os fatores que podem afetar a população de caranguejos. Pela lei brasileira, o manguezal é área de preservação permanente.
De barco, do alto ou pela margem
O jeito mais completo é o passeio de barco pelo Jaguaribe, que dura de 2 a 4 horas e passa por trechos de mangue, aves e praias que só se alcançam pela água. Os roteiros mais longos sobem até o Canal do Amor e a Ilha do Pinto, onde o rio fica estreito e cercado de mangue. Os contatos dos barqueiros estão em passeios.
Quem prefere ficar perto da água pode se hospedar na Barra do Fortim, de frente para o rio, onde ficam pousadas como a Barra Beach House. Dali o rio e o mangue ficam a poucos passos, e dá para sair cedo para o passeio.
Na foz do Rio Pirangi, a água rasa e calma deixa chegar perto do mangue a pé. Seja qual for o caminho, siga as regras básicas:
- Não arranque plantas nem sementes e não leve caranguejo de lembrança.
- Não entre de carro, moto ou quadriciclo na vegetação.
- Leve o lixo de volta e passe repelente: no fim da tarde, os mosquitos aparecem.
- Confira a maré antes: na baixa, aparecem as raízes e as tocas; na alta, o barco entra mais fundo nos canais.
Perguntas frequentes
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Os barqueiros de Fortim fazem o passeio pelo Jaguaribe, com os roteiros longos até o Canal do Amor.
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