Castanha de Caju e o que
Levar de Fortim
Quem volta de Fortim quase sempre leva um pacote de castanha de caju na mala. Não é por acaso: o Ceará é o maior produtor de castanha do Brasil, e dois vizinhos de Fortim estão entre os municípios que mais colhem no país. Este guia explica o que é a castanha, o que mais o caju vira, onde comprar na cidade e como embalar para a viagem de volta.
A castanha é o fruto; a parte carnuda, não
O caju engana quem olha. A parte amarela ou vermelha, suculenta, que todo mundo chama de fruta, é na verdade o pedúnculo, um pseudofruto. O fruto verdadeiro é a castanha, aquela peça em forma de rim pendurada embaixo. Dentro da casca dura fica a amêndoa, que é o que chega torrado e salgado aos pacotes.
Pela conta da Embrapa, em média 90% do peso de um caju é pedúnculo e só 10% é castanha. É por isso que um pacote de castanha exige tanta fruta colhida, e é também por isso que a castanha virou o produto que viaja: a amêndoa torrada dura meses, enquanto o caju fresco não aguenta muito tempo fora da árvore.
Por que a castanha é a lembrança do Ceará
Segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE, citada pelo Diário do Nordeste, o Ceará colheu 101,9 mil toneladas de castanha de caju em 2024, cerca de 64% da safra brasileira. Dos dez municípios que mais produzem no país, oito são cearenses.
Dois deles são vizinhos de Fortim. Beberibe, município do litoral leste que faz divisa com Fortim, ficou em segundo lugar no Brasil em 2024. Aracati, a uns 20 km do centro de Fortim, apareceu em oitavo. Ou seja: a castanha que você compra por aqui tem boa chance de ter sido colhida perto da estrada por onde você chegou.
O cajueiro produz depois que as chuvas param, e a colheita no Ceará se estende pelo segundo semestre, até por volta de dezembro. Quem viaja nessa época vê cajueiros carregados pelo caminho. Para escolher o mês da viagem, veja a melhor época para visitar Fortim.
Castanha nas lojas e mercados do centro
Em Fortim, a castanha aparece nas prateleiras das lojas e mercados do centro, em pacotes de várias marcas e tamanhos, torrada com sal, sem sal ou com tempero. Não precisa sair da cidade para encontrar.
Antes de escolher, vale olhar três coisas no pacote: se está bem fechado, a data de validade e se a castanha é inteira ou em pedaços, que costumam ter preço diferente. Os preços mudam com a safra e com a loja, por isso compare duas ou três prateleiras antes de levar uma quantidade grande.
Cajuína, doces e o caju que não viaja
A parte carnuda do caju também vira muita coisa. A Embrapa lista doces e compotas, caju seco, sucos, polpa congelada e cajuína, uma bebida feita do suco do caju clarificado. O pedúnculo é rico em vitamina C: a Embrapa diz que tem de três a cinco vezes mais que a laranja.
A cajuína tem dono disputado. O Iphan reconheceu como patrimônio a produção artesanal no Piauí, enquanto produtores cearenses defendem que a bebida nasceu no Ceará, no fim do século XIX. Para quem viaja, a disputa só aumenta a graça de provar as duas.
O caju fresco, esse, fica por aqui: segundo a Embrapa, o pedúnculo fica impróprio em cerca de 48 horas fora da geladeira. Aproveite para provar o suco e os doces durante a estadia e deixe para a mala o que vem em pote ou garrafa fechada. Para ver onde comer, consulte o que comer em Fortim.
Uma peça feita à mão no Pontal
Se a ideia é levar algo que não se come, o lugar é o Pontal de Maceió à noite. A Feirinha do Pontal monta barracas de roupas, crochê e artesanato, e em volta há peças de macramê, bolsas e chapéus. A página de compras em Fortim mostra também acessórios artesanais feitos na região.
O tamanho da feirinha acompanha a temporada, então confirme na sua pousada se ela está montando antes de sair.
Como levar tudo inteiro para casa
Quem vai de carro para Fortaleza ou para outro destino tem mais liberdade, mas o calor do porta-malas pesa: deixe a castanha e os doces dentro do carro, na sombra.
- Castanha: é leve e não quebra. Deixe os pacotes na bolsa de mão ou por cima na mala, longe de peso.
- Cajuína e doces em vidro: embrulhe cada pote em roupa e coloque no meio da mala despachada.
- Avião: líquidos e pastas têm limite de volume na bagagem de mão. Confirme a regra com a companhia antes de embalar garrafas e potes.
- Macramê e bolsas de fibra: são volumosos e não dobram bem; reserve espaço ou leve uma sacola extra.
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